Como meio de estabelecer a concorrência
pública, tornando freqüentado e conhecido aquele estabelecimento que faz
honra ao seu fundador, a empresa organizou um prêmio diário que consiste
em tirar à sorte dentre 25 animais do Jardim Zoológico o nome de um, que
será encerrado em uma caixa de madeira às 7 horas da manhã e aberto às 5
horas da tarde, para ser exposto ao público. Cada portador de entrada
com bilhete que tiver o animal figurado tem o prêmio de 20$. Realizou-se
ontem o 1o sorteio, recaíndo o prêmio no Avestruz, que deu uma recheiada
poule de 460$000.
A empresa tem em construção um grande salão especial para concertos,
bailes públicos, e vai estabelecer no jardim jogos infantis e outros
diversos para o público.
Às 9 horas voltaram os convidados, pessoas de alta distinção, penhorados
todos à gentileza do sr. barão de Drummond e seus dignos auxiliares. Foi
uma festa esplêndida.”
Jornal do Brasil, 4 de julho de 1892
“ Jardim Zoológico - A empresa
deste importante estabelecimento de criação do benemérito barão de
Drummond vai hoje inaugurar diferentes divertimentos ao público
fluminense, que alí terá diariamente um passatempo. O sr. M.I. Zevada, é
o gerente da empresa e conhecedor de vários estabelecimentos europeus e
americanos idênticos ao Jardim Zoológico, dá esperanças de engrandecer
aquela instituição de mérito nacional. Há um jantar de instalação, cujo
convite muito agradecemos.” O Tempo, 3 de julho de 1892
“A empresa Jardim Zoológico deu domingo último um grande banquete no
magnífico restaurant que existe no Jardim. Para esse banquete tinham
sido convidados a imprensa e várias pessoas da nossa melhor sociedade.
Correu animadíssima a festa, no meio da maior cordialidade e da maior
gentileza por parte dos diretores da empresa. Durante todo o tempo em
que estiveram presentes os convidados tocou uma excelente banda de
música as melhores peças de seu repertório.
A empresa está atualmente organisada sob grandes moldes, procurando o
mais possível distrair o público por todos os meios do seu alcance,
organizando concertos, bailes públicos, circos de cavalinhos,
espetáculos diversos, bilhares, jogos carteados, jogo de bola e outros
modos de diversão.
Além disso, a empresa resolveu estabelecer um prêmio de 20$ por meio de
um sorteio original. Cada pessoa ao entrar no jardim receberá por 1$, um
bilhete com a indicação de um animal dos 25 que existem no jardim. Em um
poste de 5 metros de altura, numa caixa fechada, será colocado um quadro
representando um dos animais e quem tiver no bilhete receberá o prêmio.
A empresa deposita como garantia de pagamento dos prêmios 10$000 em um
banco. O serviço de bondes vai ser aumentado proporcionando assim maior
comodidade ao público.
“O Tempo, 6 de julho de 1892
“Jardim Zoológico - Grande festa hoje no Jardim Zoológico. Inaugura-se
uma empresa de divertimentos públicos, com rifas em que se pode tirar
até 40:000$000. Uma fortuna.”
Diário do Commércio, 3 de julho de 1892.
“Realizou-se ontem, como tinhamos anunciado, a inauguração da nova
empresa do Jardim Zoológico.
Às 3 horas das tarde partiram do largo do Rocio em direção a Vila
Isabel, dois bonds especiais dessa companhia, levando os convidados
daquele empresa, sendo precedidos de uma banda de música. Chegados ali
foram os convidados recebidos pela administração do Jardim, que
gentilmente acompanhou-os na visita geral.
Às 5 horas desceu a caixa que continha a figura do animal que dominava o
dia, de acordo com o programa. O avestruz foi o animal vencedor e que
deu aos donos dos bilhetes respectivos os 20$ de prêmio.
Após a vitória do avestruz a vitória do estômago. Deu-se começo pois a
um lauto e profuso banquete de 100 talheres, havendo por esta ocasião
brindes de saudações recíprocas.
À festa compareceram muitas distintas senhoras, representantes da
imprensa e outros muitos convidados.”
Diário do Commércio, 4 de julho de 1892
“A empresa do Jardim Zoológico inaugurando hoje um restaurant no mesmo
jardim, destinado a famílias, e onde estabeleceu graciosos jogos para
crianças e distrações próprias a um magnífico logradouro público,
oferece hoje aos seus convidados um jantar regado a fino champagne
Clicot. A inauguração terá lugar às 5 horas da tarde, saíndo um bonde
especial para os convidados, às 3 horas, da praça da Constituição.”
Diário de Notícias, 3 de julho de 1892
“A empresa do Jardim Zoológico ofereceu ontem um jantar a vários
convidados, que em um bonde especial seguiram, às 3 horas da tarde, para
o soberbo restaurante situado naquele jardim, em Vila Isabel. Para
desejar que faça carreira este novo estabelecimento, basta desejar-lhe
mais orientada administração do que teve o seu antecessor.”
O Paiz, 4 de julho de 1892
“A empresa do Jardim Zoológico ofereceu domingo, no restaurante alí
estabelecido, um lauto jantar a diversos cavalheiros.”
Gazeta de Notícias, 5 de julho de 1892
“Há hoje festa no Jardim Zoológico, inaugurando-se ali novos
divertimentos.”
Jornal do Commércio, 3 de julho de 1892
“Foram inaugurados ante-ontem diversos divertimentos no Jardim
Zoológico, entre os quais o do sorteio dos animais, que tem por fim
animar a concorrência àquele estabelecimento. Esse sorteio consiste no
seguinte: d’entre 25 animais escolhidos pela Empresa é tirado um
diariamente e metido em uma caixa quando começa a venda de entradas. Às
cinco horas da tarde, a um sinal dado, abre-se a caixa e a pessoa que
tem a entrada com o nome e o desenho do animal, ganha-o como prêmio. No
próximo domingo o público lá encontrará diversos divertimentos e jogos
infantis. Está em construção uma grande sala destinada a bailes
populares.”
Jornal do Commércio, 5 de julho de 1892
“Venceu ontem o gato. A empresa pagou prêmios na importância de
1:420$000. O Jardim foi visitado por 1350 pessoas.
O Sr. ministro da Guerra visitou ontem o Jardim Zoológico em companhia
do barão de Drummond. S. Ex. foi testemunha da forma dos prêmios
estabelecidos pela empresa, afim de animar a concorrência daquele
estabelecimento. Muito agradou a S. Ex. a ordem e asseio daquela vivenda
de animaes.”
Diário do Commércio, 11 de julho de 1892
“O sr. ministro da Guerra visitou ontem o Jardim Zoológico, percorrendo
todas as suas dependências, acompanhado pelo sr. barão de Drummond.”
Jornal do Brasil, 11 de julho de 1892
“O marechal Floriano Peixoto visitará brevemente o Jardim Zoológico.”
Gazeta da Tarde, 8 de julho de 1892
“Para os azaristas - No Jardim Zoológico venceu ontem o Avestruz. A
empresa pagou de prêmios 680$.”
O Tempo, 10 de julho de 1892
“Jardim Zoológico - Venceu ontem o gato. A empresa pagou de prêmios
1:100$.”
O Tempo, 14 de julho de 1892
“Jardim Zoológico - Venceu ontem o cavalo. Pagou-se de prêmios 740$.
Amanhã (domingo) das 3 horas da tarde em diante baverá bondes diretos.
Divertimentos diversos.”
O Tempo, 16 de julho de 1892
“Jardim Zoológico - Venceu ontem o cachorro. Pagou-se de prêmio 2:08$.”
O Tempo, 17 de julho de 1892
“No Jardim Zoológico venceu ontem o pavão. Pagou-se prêmio de 1:140$.”
O Tempo, 19 de julho de 1892
“Jardim Zoológico - Venceu ontem o coelho. Pagou a empresa prêmios na
importância de 640$000.”
Gazeta de Notícias, 6 de julho de 1892
ANÚNCIO:
Jardim Zoológico - Prêmios Diários Sobre Animais de 20$ a 40:000$ -
Vendas das Entradas na Rua do Ouvidor No 129 e no Jardim.
O Tempo, 12 de julho de 1892
“Ao Dr. 2o delegado dirigiu ontem o Dr. Chefe de Polícia o seguinte
ofício:
No empenho de procurar atrair concorrência de visitantes ao Jardim
Zoológico, solicitou o seu diretor para certo recreio público licença,
que lhe foi concedida pela polícia, em vista da feição disfarçadamente
inocente que da símples primeira descrição do divertimento parecia se
deduzir. Entretanto, posta em prática essa diversão, se verifica que tem
ela o alcance de verdadeiro jogo, manifestamente proibido. Os bilhetes
expostos à venda contém a esperança puramente aleatória de um prêmio em
dinheiro, e o portador do bilhete somente ganha o prêmio, se tem a
felicidade de acertar com o nome a espécie do animal que está erguido no
alto de um mastro.
Esta diversão, prejudicial aos interesses dos incautos, que com a
esperança enganadora de um incerto lucro se deixam ingenuamente seduzir,
é precisamente um verdadeiro jogo de azar, porque a perda e o ganho
dependem exclusivamente do acaso e da sorte.
Como semelhante divertimento não pode por mais tempo ser tolerado, e
conquanto maior fundamento quanto é certo que muitas queixas me têm sido
dirigidas pelas pessoas lesadas, assim intimarei ao diretor do Jardim
Zoológico para que suspenda imediatamente a continuação do aludido jogo,
sob pena de ser processado na coformidade dos arts. 369 e 370 do código
penal.”
O Tempo, 23 de julho de 1892
“Quem nasceu para dez réis nunca chega a vintém, - é verdade que nenhum
caipora é capaz de contestar.
Nestes dias de prosperidade, de progresso amamentado pelo papel moeda
que às enxurradas de magníficos negócios engrandeceram o gênio das
finanças, é sabido que a melhor e mais segura indústria é a do jogo e
loterias sob todas as formas. Já tinhamos cassinos, clubes, cercles e
outros grandes estabelecimentos industriais que prosperam a bragas
molhadas sem auxílio nem nada. Temos agora a loteria zoológica, o
víspora dos bichos, a rodas das alimarias.
Atirei ao trabalho honrado, isto é, ao novo jogo que é o trabalho da
época. Aquele provérbio dos dez réis que não passa a vintém, haja o
câmbio que houver, perseguiu-me até nesta invenção biolotérica. Os
bichos fogem do caipora como o demo da caldeirinha. Caso singular! Perco
sempre na mesma.
Outro dia joguei no perú, e saiu o pavão, galináceo como aquele e tão
vaidoso como o seu parente, mas com a diferença, que um me daria vinte
mil réis e o outro fez-me perder mil réis. Comprei uma entrada com o
“gato” e perdi nas garras do “tigre”, ambos felinos, e diversos no
estado de domesticidade e no estado selvagem.
Para maior dos pecados, quando contava desforrar-me com o elefante, cuja
corpulência e força devia arrazar tudo, caiu da caixinha a estampa
corcunda do camelo. Tanto um como o outro são pachydermes, mas o camelo
deu os vinte mil réis e o elefante nem um nickel.
Sendo a loteria cientificamente zoológica, porque não se aplicar o
sensato e justo sistema esportivo de correr as poules por coudelarias?
Neste caso os lotes seriam por famílias, gêneros e espécies. Quem
jogasse nos felinos poderia ganhar com o gato ou com o tigre entre os
galináceos, o perú seria tão bom segundo como o pavão foi primeiro.
Entre os roedores poderia eu achar dente de coelho ou apanhar ratazanas
nedias e roliças com o seu recheio de notas de mil réis e farofa de
vinte mil ditos. Quisesse eu jogar na alta e molharar-me-ia com os
trepadores e se o tucano caísse por qualquer descuido, o papagaio de
vistosas penas me levaria às alturas das finanças. E os repteis não
poderiam dar a fortuna do prêmio gordo, tamanha é a família e tão
rasteiro o seu gêenero? A rola biolotérica não está bem organizada;
precisa de reforma, pelo menos enquanto eu perder nesse pacão.
Hoje reza-se por outra cartilha; o jogo, a sorte, o ágio e a advocacia
administrativa parlamentar que em um abrir e fechar de mãos levam um
homem a habitar palácios principescos em Lisboa ou pelintrar nos
boulevards de Paris. O gênio que criou tudo isso bem sabe o que fez.”
Maximo Job , em O Tempo, 23 de julho de 1892 |